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Pablo Fernando nasceu em Florianópolis, no sul do Brasil, onde viveu até 1994, ano em que iniciou sua turnê pelo país, com o espetáculo "Baden Baden: O Acordo", passando por dezesseis estados e mais de setenta cidades. “Era um espectáculo de rua e vivíamos exclusivamente do dinheiro do chapéu (contribuições espontâneas que o público dava após assistir ao espetáculo), que felizmente era muito generoso permitindo com que o elenco seguisse viajem para Argentina e Uruguai, e em dezembro de 1995 viemos para Espanha e Portugal por onde viajamos por mais seis meses, sempre de forma Mambembe” - conta o artista. Sentiu-se fascinado pelas ruelas, becos e construções da capital portuguesa, onde vive até hoje. “Estávamos de viagem com o espetáculo, quando passei por Lisboa e fiquei encantado, apercebi-me do quanto poderia aprender sobre o Brasil e sobre mim, nesta cidade e neste País”.
Desde que chegou, Pablo deu continuidade aos seus estudos, concluindo o Bacharelato e a Licenciatura em Formação de Atores, na Escola Superior de Teatro e Cinema, e ainda a nível académico adquiriu os Diplomas como pós-graduado em Estudos de Teatro pela Faculdade de Letras de Lisboa, e em Pedagogia Perceptiva do Movimento pela Universidade Moderna. Pablo Fernando já está em contato com o teatro desde 1992, quando iniciou os estudos através do curso profissionalizante da Oficina Permanente de Teatro da Universidade Federal de Santa Catarina, no Brasil. Trabalha basicamente nesta área exercendo as funções de professor, ator e diretor. Foi Coordenador do curso de Licenciatura em Artes Performativas da ESTAL, e fundador (junto com Susana Cecílio) do Espaço Evoé, uma escola de teatro, dança e música, situada na Rua das Canastras, próximo ao Campo das Cebolas, em Lisboa. A escola tornou-se popular pelos vários anos de existência, e pela diversidade de workshops, espetáculos e cabarés, promovidos através do esforço contínuo de Pablo e sua
equipe. Ele comenta - “os apoios são muito escassos, o nosso trabalho é financiado pela própria estrutura do Espaço Evoé, normalmente trabalhamos com as autarquias apenas com vendas de espetáculos e de formação”.
Ao longo de sua carreira veio aperfeiçoando-se através de diversos workshops orientados por nomes já conhecidos no cenário mundial das artes, como, Eugênio Barba, Mestre Djimad, Pepe Nuñez, Dácio Lima, Carlo Bosso, Filipe Crawford, Cristina Colla, Ricardo Puccetti, entre outros. A dedicação integral ao teatro tornou-se uma rotina diária na vida de Pablo, que visivelmente demonstra um total desinteresse por outros meios de expressão que não seja o teatro, como por exemplo, os instrumentos televisivos de que hoje dispomos. “Nunca trabalhei em televisão, este é um veículo que francamente não me interessa, não tenho televisor em casa a mais de dezesseis anos, e não sinto a menor falta, e por isso, eu trabalhar em televisão seria um contra-senso. Em cinema sim, protagonizei um filme curta-metragem de produção portuguesa, "O Prego", de João Maia, que participou de vários festivais importantes, tais como: Cannes, Veneza, São Paulo, etc. Mas realmente a minha área de trabalho é mesmo o teatro” - afirma o artista. 
Quando o Jornal Brazuk perguntou o que Pablo achava sobre a atual situação política e econômica de Portugal, ele respondeu - “vejo de dentro com as mesmas preocupações que todos estamos a viver, com a instabilidade política a atrapalhar a estabilidade econômica, mas com a tranquilidade de sentir que estamos longe de ter problemas realmente sérios, pois o nível de vida pode não ser o melhor da Europa, mas ainda assim temos que manter a consciência de que a qualidade de vida neste país é realmente superior que na maior parte do globo”. E à distância, Pablo olha para a situação do Brasil também com otimismo - “tenho muita esperança e orgulho, ao ver que o Partido dos Trabalhadores está a fazer um governo histórico, que vem alterando a cara do país, sinto uma grande diferença em como o Brasil é hoje muito mais respeitado no exterior, pois aprendeu a respeitar o seu próprio povo. É claro que ainda há muito o que fazer, mas estou confiante de que o Presidente Lula irá conseguir eleger a sua sucessora e que o país continuará num rumo de crescimento social, que é o crescimento que realmente interessa para qualquer país”.
Atualmente, Pablo vem trabalhando na direção do espetáculo "As Cadeiras", de Ionesco, que narra a história de dois personagens de idades avançadas e imprecisas, que vivem isolados num espaço indefinido, distante do mundo e cercado por água a toda a volta. Diariamente recontam histórias, reinventam mitos particulares e universais, revigorados por jogos diários de afetos e invenções que os ajudam a preencher de forma genuína o vazio impresso na condição humana. "As Cadeiras" tem estréia prevista para o próximo dia 30 de abril no Instituto Franco Português de Lisboa, onde permanecerá em cartaz até o dia 2 de maio. Em seguida, reabre temporada no Teatro da Comuna entre 17 de junho e 4 de julho. Vale a pena conferir!
